segunda-feira, 4 de maio de 2015

Provas de diálogo

Pela segunda vez estou a dar um curso de “Diálogo inter-religioso” na Universidade Católica, em Bissau, precisamente na faculdade de Ciencias da Educaçao, ao 1º ano. É um curso muito interessante com uma vertente teórica e uma prática: o curso deveria preparar os alunos a conhecerem melhor e a aprenderem a dialogar com as outras religiões (e até com quem não tem nenhuma religião). Isso começa já na sala de classe, pois no curso deste ano há um bom número de católicos, mas também quatro estudantes muçulmanos (Aïcha, Aramatu, Indira e Mustafá) e uma rapariga evangélica (Silvéria). No início das aulas costumo pedir a um deles de rezar segundo o seu credo religioso e todos os que não pertencem àquela religião ficam calados, escutando em respeitoso silencio. No inicio, os meus estudantes tomavam isso como brincadeira, mas agora todos escutam com muita atenção.
Na semana passada tivemos o privilégio de acolher na turma um chefe religioso muçulmano, Mamado Mahcmud al Taki, que veio para responder às muitas perguntas dos meus alunos. Foi um momento emocionante e inesquecível: o sr. Mamado soube mostrar a beleza da sua religião e, no mesmo tempo, a sua grande abertura de alma. Ele veio com o seu condutor, Toni, um cristão católico de quem tem uma grande estima.

A turma do 1° ano
O imam Mamado dando explicaçao sobre o Islao

terça-feira, 28 de abril de 2015

Tensões inter-religiosas



É difícil imaginar que a nossa Guiné possa ser teatro de tensões inter-religiosas, mas é isso mesmo que está a acontecer.
Na zona de Nhoma, concretamente na aldeia de Sucuto, uma seita islâmica está a introduzir novos ritos e costumes que estão em contrasto com a religião tradicional africana. Agora, isto em si não seria nada de mal, pois o Estado garante a cada cidadão a liberdade de professar a sua religião e até de fazer conversões, mas esta seita (Amadia?) está a perturbar, até mesmo a ameaçar a religião tradicional dos moradores (os balantas), que se sentem desprezados e atingidos naquilo que eles têm de mais sagrado, quer dizer, os seus ritos e crenças. A questão foi levada para as autoridades do Estado que têm reagido de forma - a meu parecer - ligeira, minimizando o problema. Mas o problema é sério e merece uma análise aprofundada. Já outras vezes houve confrontos na nossa zona, com perda de vida humana, para questões mais leves. A missão está a tentar mediar, através da sua comissão paroquial Justiça e Paz, mas até agora com pouco resultado. Os franciscanos da missão escreveram também à Administradora do setor de Nhacra, pedindo que use prudência e sabedoria em tentar resolver esta questão.


Reuniao entre as autoridades do Estado e a populaçao local. A governadora do setor de Oio esta no meio.

Dia Mundial de Oração pelas Vocações



No domingo passado a Igreja celebrou o Dia Mundial de Oração pelas Vocações de especial consagração. A nossa diocese organizou um bonito encontro onde foram convidados os grupos vocacionais das nossas paróquias e os muitos jovens nas casas de formação. Foi um momento de festa e de testemunho. Três jovens religiosos (um franciscano, uma noviça das irmãs marianitas, uma professa simples das irmãs franciscanas e um padre diocesano) deram o seu testemunho da vocação descrevendo como responderam ao apelo de Deus na sua vida. O último a falar, p. Bernardo da Cunha, confessou que ele é diocesano “no corpo” mas franciscano “no coração”, pois a sua aspiração era de ser franciscano e não diocesano, mas as circunstâncias o levaram para o seminário diocesano e aí ficou. D. José Lampra Cá, bispo auxiliar, falou sobre a beleza (e as tentações) da vocação à vida religiosa e sacerdotal. Com o seu estilo divertido, ele soube entusiasmar os presentes que ficaram convencidos que “não há vocação mais bonita, a não ser a própria vocação”. Dito em crioulo: “Vocason i kil ki Deus misti pa n’misti”. No fim ele pediu a todos os  vocacionados que tenham três disposições ou requisitos: o discernimento, a generosidade e a perseverança”.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Jornada vocacional diocesana é celebrada em Cacheu



A nossa diocese realizou a sua 2ª Jornada Vocacional Diocesana em Cacheu no sábado passado. Estavam presentes quase todas as paróquias da nossa diocese. O programa, muito rico, previa uma marcha-peregrinação de entrada na cidade, seguida duma palestra proferida pelo p. Keylandio Abdulai Jacquité, vigário diocesano pela pastoral e a s. Missa, animada pelas várias paróquias que compõem a diocese. 
Depois do almoço houve ainda tempo para o sorteio das rifas e a bênção final, dada pelos padres e as irmãs presentes.  



Fr. Joseph Rosansky, responsável OFM para Justiça, Paz e Integridade da Criaçao visita a Guiné



O fr. Joseph Rosansky não é conhecido do grande publico, embora tenha uma posição de destaque na Ordem dos Frades Menores sendo o coordenador mundial da comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação a nível dos franciscanos menores. Ele está a visitar a família franciscana da Guiné durante quatro dias (12 a 16 de Abril). Logo no primeiro dia ele encontrou-se com os membros da OFS e da JUFRA no salão da catedral de Bissau, num encontro que foi muito rico e interessante. O fr. Joseph contou como a sua comissão está a trabalhar, em Roma, e deu sugestões para orientar as actividades de justiça e paz na Guiné.