sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Cinco postulantes entram em Nhoma

Como todos os anos, o novo grupo de jovens entrou no dia 18. A novidade deste ano é a presença de dois postulantes senegaleses: Jean Malick Sarr e Georges Sarr. Os outros três são guineenses: Sadam, Jorge e Medassi.
A sua entrada aconteceu durante a oração das vésperas, tendo sido presenciada pelo nosso Custodio, fr.Victor L. Quematcha e outros frades, entre os quais o animador provincial da Evangelização Missionaria, fr. Massimo Tedoldi.
Os dois senegaleses, apesar de ter chegado ainda no mês de agosto para a aprendizagem da língua, ainda não dominam nem o português nem o crioulo. Mas estão com boa vontade e já deram sinais de que sabem aprender rápido.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Peregrinação a pé a Madonna della Corona

Fiz uma peregrinação a um santuário mariano, juntamente com um grupo de pessoas da minha aldeia (Monte di Malo) e arredores. Éramos vinte ao todo. Foi de 18 a 20 de agosto deste ano. Maravilhoso! Fantástico! Inesquecível!
Quero ser claro: a gente andou a pé durante três dias, cobrindo uma distancia de cerca de 90 quilómetros. Mas não é tanto sobre isso que eu quero falar. Quanto sobre a experiência de andarmos juntos como grupo, como - espero que me entendam - igreja. Sim, eu fiz a experiência de caminhar com pessoas ordinárias, comuns, mas também com uma espiritualidade profunda, que me enriqueceram, mais, que me ajudaram a entender que Jesus está vivo, está no meio de nós. Naqueles três dias eu tive a impressão de que um outro estava no meio de nós: era uma presença discreta, invisível, mas real, palpável: Jesus! Eu tive a impressão de que Jesus andava connosco.

Obrigado a todos vós que me permitiram de viver esta experiência fantástica e até à próxima peregrinação. Daqui a dois anos.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Franciscanos em retiro anual


A ir. Silvia introduz o "Dia franciscano"

Respeitando uma tradição consolidada, a família franciscana da Guiné realizou mais um retiro de 27 de Agosto a 2 de Setembro no centro de espiritualidade de N’Dame. Pela primeira vez o retiro era aberto também aos outros institutos religiosos presentes na Guiné-Bissau, uma novidade que fez com que havia bem 52 participantes! O tema do retiro era A evangelização franciscana na Guiné-Bissau. O pregador foi o fr. Victor Quematcha, nosso custódio. Segundo os testemunhos recolhidos, a gente gostou muito do tema, quer pela sua atualidade quer pela apresentação brilhante e bastante provocadora. 

O fr. Victor apresenta o tema
A procissão ofertorial (JUFRA de Antula)
 No dia sábado pois houve, em Brá, o “Dia franciscano” que reúne anualmente todos os franciscanos da Guiné, incluindo OFS e JUFRA. O memo fr. Victor apresentou um resumo do seu tema, focando alguns acontecimentos recentes que ocorreram nas nossas missões: Cumura, Quinhamel, Bedanda e Nhoma. Ele ressaltou o fato que estes acontecimentos nos obrigam a refletir sobre a nossa maneira de evangelizar, que não é sempre pura e transparente. De facto, às vezes o missionário/a missionária faz promessas e oferece apoios materiais, sem passar pela fraternidade, agendo de forma individual. O que gera ao longo do tempo expetativas falsas e atitudes farisaicas por parte dos assistidos, que vão à igreja e se aproximam dos sacramentos só para agradar ao padre ou à freira.



Momento de recreio com peça apresentada pela JUFRA

Ao meio-dia todos os participantes se uniram na igreja de Brá para a celebração eucarística, que foi magnificamente animada pela coral da JUFRA de Brá, enquanto o grupo JUFRA de Antula fez a procissão ofertorial. Na parte da tarde, o fr. Viriato (franciscano de Bra) coordenou um momento de recreio, onde intervieram a JUFRA e algumas irmãs que apresentaram algumas peças ligadas ao tema do retiro. Os participantes foram cerca de 120. Uma última palavra vai aos irmãos e irmãs que se ocuparam da cozinha, que foi ótima e abundante.  


O local escolhido (Brá) parece ter favorecido a participação, que foi muito superior à dos anos passados. 





segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Viajar no paraíso

Nestes dias de férias na Itália tenho a ocasião de descansar um pouco junto da minha família. Mas é também o tempo favorável para participar de cursos de formação, sobretudo no campo da espiritualidade.
O grupo dos africanos
E' neste quadro que estou nos montes Lessini, perto de Verona, participando de um encontro internacional de religiosos, promovido pela Obra de Maria (movimento dos Focolares). Somos 65 participantes, dos quais a maior parte vem de Europa, mas há também alguns dos continentes. De África somos seis missionários. A casa que nos hospeda é muito acolhedora e os temas muito interessantes e de grande atualidade. Entre os participantes há Jesus Moran (co-presidente da Obra), Fabio Ciardi (OMI, professor de teologia da vida consagrada) e muitos outros. Tenho, aliás, temos a impressão de viajar ... no paraíso, tanto é forte o clima de unidade espiritual que existe entre nós.
Vai ser difícil a descida do monte (estamos a m. 880) quando o encontro acabar, daqui a três dias. 



O grupo dos participantes
P. Fabio Ciardi


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Fr. Silvano de Cao e fr. Ernesto Bicego celebram 50 anos de vida missionária

Fr. Mario Favretto (ministro provincial), fr. Ernesto, fr. Silvano e 
fr. Victor (custodio)








Foi no longínquo 28 de junho de 1967 que os nossos dois frades chegaram à Guiné, em plena guerra de libertação.
Fr. Silvano com o seu irmão e as suas irmãs 


Foto de grupo no fim da celebração eucarística com alguns antigos
missionarios na Guiné: fr. Giulio Baratto, fr. Ciro Centis, 
fr. Eugenio Sirch, fr. Fortunato de Pellegrin e p. Sergio 
Marcazzani (diocesano)
Os primeiros anos, como se sabe, são sempre difíceis. Os nossos dois confrades, novos e cheios de entusiasmo, não tinham medo dos desafios que deviam enfrentar: uma guerra civil em curso, uma carpintaria e uma oficina mecânica a abrir (na missão de Cumura), a visita e a evangelização nas tabancas onde a gente estava ainda muito agarrada às práticas da religião tradicional. Eles merecem de verdade o titulo de "antigos combatentes", não só porque fizeram a luta de libertação, mas também porque tiveram de sofrer todas as canseiras e sofrimentos típicos da vida missionaria num país pobre como a Guiné.

Nas diferentes missões onde passaram (Cumura, Quinhamel, Blom, Nhoma) deram testemunho de pobreza franciscana, de amor aos pobres, de ardor apostólico. 
Ao longo dos anos tiveram de construir capelas, escolas, dispensários; preparam muita gente ao exercício duma profissão (carpintaria, oficina mecânica). Ainda hoje o fr. Ernesto está a construir uma nova escola (de ensino secundário) na missão de Blom. O testemunho de vida que deram, o bem que fizeram não pode ser calculado.
P. Eugenio Sirch, um outro antigo combatente,com duas senhoras 
guineenses

Neste momento o fr. Silvano está na Itália onde está a seguir tratamento médico, mas o seu coração está virado para África, onde ele espera voltar o mais cedo possível. E’ isso que acontece com os verdadeiros missionários, que ficam “perdidos” quando regressam à sua própria terra de origem. 






quarta-feira, 28 de junho de 2017

A ir. Ida Claudino regressa à casa do Pai

As irmãs franciscanas do Coração Imaculado de Maria sofreram mais uma perda grave no dia 20 de junho. A ir. Maria Ida Claudino, da comunidade de Cumura, faleceu inesperadamente por causa de AVC (acidente vascular cerebral). Ela tinha 64 anos de idade e estava a trabalhar na Guiné-Bissau desde 2007, depois de ter feito uma primeira experiência missionária sempre na Guiné.
A ir. Ida trabalhava como enfermeira e era muito amada e estimada pelos doentes a causa do seu caráter alegre e jovial.

terça-feira, 27 de junho de 2017

In Guinea-Bissau cristiani e musulmani lavorano insieme


Storie di convivenza tra credenti in Cristo e islamici. Viaggio a Nhacra, un villaggio nella parrocchia di Nhoma, dove sorge un centro sanitario in cui è riservata speciale attenzione alle donne e ai loro piccoli

 
Suor Valeria Amato con due mamme seguite presso il centro sanitario di Nhacra

Generare umanità è dare alla luce una nuova vita, ma anche realizzare qualcosa di buono, di giusto in un altro e per un altro, affinare e spendere le proprie qualità migliori per altri affinché abbiano una vita buona. Questa storia racconta della generazione e dei legami che essa accende anche fra persone di fede diversa. 

In Guinea Bissau, a Nhacra, nella regione di Oio, sorge il “Centro Sanitario Madre Maria Caterina Troiani”, punto di riferimento per i 26.000 abitanti della zona che vivono in 50 villaggi: qui, come nel resto del Paese (che conta 1.800.000 abitanti), i cristiani costituiscono il 22% della popolazione, i musulmani oltre il 40% mentre il rimanente è seguace della religione tradizionale. Dirige questo presidio medico suor Valeria Amato, 70 anni, infermiera e ostetrica appartenente all’Istituto delle Francescane Missionarie del Cuore Immacolato di Maria. Giunta in Guinea Bissau nel 1988, ha lavorato molti anni in un lebbrosario e negli ospedali di Cumura e di Quinhamel intorno ai quali sorgono due missioni.  

Fraternità  
Nel Centro sanitario di Nhacra, inaugurato alla fine del 2015, lavorano attualmente 11 persone cristiane e musulmane, destinate ad aumentare quando a breve saranno operativi il servizio di ecografia e il reparto maternità. «Fra tutti noi c’è grande collaborazione – racconta suor Valeria – ci vogliamo bene, i rapporti sono fraterni: la religione non costituisce motivo di divisione né di rivalità. Lavoriamo insieme nella concordia, mossi da un comune obiettivo: prenderci cura dei malati, che in questa zona non hanno altro centro medico su cui contare».  

L’infermiera musulmana 
Alle parole di suor Valeria fanno eco quelle della sua prima collaboratrice, un’infermiera musulmana di 35 anni, sposata e madre di due bambini, Mariama Marco, che segue in particolare le gestanti e le puerpere sieropositive o con Aids conclamato: «Nel Centro le relazioni tra cristiani e musulmani sono serene, fondate sul reciproco rispetto. Mi piace molto lavorare qui, per diverse ragioni: sia perché il fine delle suore non è solo l’evangelizzazione, ma la cura dei malati e dei poveri, sia perché ho la possibilità di imparare molto da suor Valeria, che ha maturato grande esperienza e mostra dedizione profonda per ogni paziente. Inoltre qui gli operatori sanitari – medici, infermieri, tecnici – restano fedeli all’etica professionale e non cedono a pratiche immorali (l’aborto, ma anche richieste di denaro e piccoli furti), frequenti in altri ospedali». 

Mamme e bambini 
In questo Centro sanitario – dove lo scorso anno sono state effettuate oltre 7.500 visite (quasi la metà pediatriche) e vengono curati centinaia di pazienti sieropositivi e con Aids conclamato – speciale attenzione viene riservata alle mamme e ai bambini. In Guinea Bissau le donne contano poco, moltissime sono analfabete, racconta suor Valeria: «Noi affianchiamo le gestanti seguendole in ogni fase della gravidanza, e accompagniamo le puerpere prendendoci cura dei bimbi. Purtroppo l’Aids colpisce un numero elevato di persone in tutto il Paese e in particolare in questa zona: si stima che l’8-10% delle gestanti abbia contratto l’infezione da Hiv. Per scongiurare il rischio che trasmettano la malattia ai bimbi, incoraggiamo le donne a partecipare al programma di prevenzione della trasmissione verticale che dura dall’inizio della gestazione sino a 18 mesi dopo il parto. È un programma molto efficace: nel 99% dei casi i bimbi sono sieronegativi. Non è però sempre facile convincere le mamme a seguire questo programma e a portarlo a termine: non di rado sono ostacolate dal molto lavoro, che non lascia loro il tempo di curarsi, e dalla forte pressione esercitata dai guaritori locali che vogliono imporre le terapie della medicina tradizionale. Per persuaderle e motivarle abbiamo quindi deciso di offrire loro un pacco alimentare gratuito ogni volta che vengono a prendere le medicine: in questo modo riusciamo a ridurre il tasso di abbandono e anche a sostenere le loro famiglie».  

La malnutrizione infantile 
Un altro problema serio di questo territorio è la malnutrizione infantile, la cui prima causa, osserva suor Valeria, non è – come si potrebbe pensare – la povertà, che pure esiste, ma la mentalità. «In Guinea Bissau le figure primarie sono gli anziani e i maschi adulti; i bambini sono molto trascurati, si presta scarsa attenzione alla loro alimentazione. L’importante è che le donne, anche giovanissime, mettano al mondo molti figli: poco importa come cresceranno. L’educazione diventa perciò fondamentale: noi ci impegniamo per far comprendere alle donne l’importanza di assicurare una alimentazione che consenta ai loro figli di svilupparsi e di crescere bene». Ogni mattina, prima che inizi l’attività ambulatoriale, lo staff del Centro tiene incontri (singoli e di gruppo) con le mamme durante i quali viene spiegato come accudire i bambini e nutrirli correttamente.  

I rapporti tra cristiani e musulmani 
Tra i pazienti cristiani e musulmani che frequentano il Centro i rapporti sono buoni, così come lo sono nel resto del Paese: «In Guinea Bissau viviamo gli uni accanto agli altri, in tranquillità: ci sosteniamo vicendevolmente, c’è grande rispetto reciproco», dicono all’unisono suor Valeria e Mariama, che porta come esempio Radio Sol Mansi, la più nota emittente radiofonica del Paese, cattolica, che ospita un programma islamico.  

Il desiderio di ogni essere umano 
Prosegue Mariama: «Le mie relazioni con i cristiani, e in particolare con i cattolici, sono serene. Una delle mie più care amiche – che ha seguito con me il corso infermieristico – è cattolica praticante. Penso che noi musulmani e cristiani, che viviamo e lavoriamo insieme in pace, dobbiamo insegnare al mondo l’amore vicendevole perché abbiamo un unico Dio». E suor Valeria aggiunge: «Sebbene abitato dall’egoismo, dai pregiudizi, dalla paura delle differenza, ogni essere umano coltiva nel proprio cuore un’aspirazione insopprimibile: vivere in pace con gli altri, essere amato e poter amare. Noi cristiani abbiamo la responsabilità di mettere in pratica il comandamento dell’amore che Gesù ci ha consegnato e fare sempre il primo passo verso il nostro prossimo, cercando di instaurare quella convivenza fraterna che è desiderio di tutti».  

Un sguardo al futuro 
Pensando al proprio lavoro e al futuro, Mariama conclude: «Mi impegno molto, sto facendo del mio meglio per migliorare la vita delle persone, in particolare quella delle donne e dei bambini. Il mio sogno è trasformare il nostro Centro in un ospedale di riferimento nazionale: è un traguardo che ritengo raggiungibile grazie alla determinazione di suor Valeria e all’operosità di tutto lo staff».  

Pubblicato in VATICAN INSIDER NEL MONDO il 25/06/2017