terça-feira, 17 de abril de 2018

JPIC, parte integrante do carisma franciscano

Na Ordem dos Frades Menores, o Secretariado de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) foi criado com a missão de despertar entre os frades a consciência de que justiça, paz e ecologia fazem parte do carisma franciscano. E como franciscanos são defensores da esperança, da dignidade humana e da sacralidade de toda criatura, abertos ao ecumenismo e ao diálogo com as culturas.
Os Estatutos Gerais da Ordem dos Frades Menores define a tarefa do Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação da seguinte forma: “A principal tarefa do Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), sob a dependência do Ministro Geral é:
1. Cuidar que a JPIC faça parte da vida e da missão da Ordem, com a cooperação dos animadores e das comissões de JPIC de todos os níveis, colaborando com o Secretariado para a Formação e os Estudos e com o Secretariado para a Evangelização.
2. Instruir os irmãos sobre questões relacionadas à JPIC.

Infelizmente há ainda muitos franciscanos que pensam que este serviço não seja uma dimensão fundamental do carisma franciscano, mas sim uma atividade reservada a poucos eleitos, idealistas e poetas que sonham um mundo utópico.

Não era este o pensamento de S. Francisco que não hesitava em intervir nos acontecimentos políticos do seu tempo (lobo de Gubbio, conflito entre o bispo e o podesta de Assis), convencido de que não há verdadeira fraternidade sem um claro compromisso político e ecológico.

O secretariado geral de JPIC tem a sua sede em Roma. Para mais informações contactar: www.ofm.org/jpic;  pax@ofm.org. Existe também um boletim: CONTACTO, publicado em inglês, espanhol e italiano.


domingo, 15 de abril de 2018

La72


No sudeste do México, muito perto da fronteira com Guatemala, encontra-se uma casa-refugio para migrantes cujo nome é La72. Foi fundada em 2011 por um franciscano, fr. Tomás González Castrillo, e até então já passaram por este centro pioneiro 50.000 migrantes. O nome do centro refere-se à descoberta, feita na localidade de S. Fernando (no estado de Tamaulipas, perto da fronteira norte do Mexico), de uma vala comum com 72 corpos de pessoas assassinadas pelo crime organizado em 2010. O nome do centro quer perpetuar a memória destas pessoas e de tantos outros migrantes que continuam a morrer na viagem para os Estados Unidos (que no imaginario comum é o “sonho americano”).
Fr. Tomas intervem no congresso de JPIC, em Guadalajara
Desde então, o fr. Tomas tem dedicado toda a sua vida a esta causa, procurando-se muitos inimigos entre os narcotraficantes, o crime organizado e até entre as forças da ordem. Por isso agora ele é vigiado por guarda-costas. Mas ele não sente medo pelas muitas ameaças que recebe, porque sabe que a sua obra não vai parar. Muitos outros estão a ajudar de várias maneiras, porque constatam os benefícios do seu trabalho. Um dos resultados mais visíveis são os 69 centros que, a partir de 2011, surgiram ao longo da “rota da esperança” para dar hospedagem aos milhares de migrantes que viajam para a fronteira americana.   


"La bestia" ou o comboio da morte



Durante toda esta semana tenho ouvido o barulho dum comboio que passa perto da nossa "Casa de oración", em Tlaquepaque, um bairro periférico de Guadalajara. Não sabia que era "la bestia", o tristemente famoso comboio da morte, que atravessa o México do sul ao norte e que constitui para milhares de pessoas o transporte rumo ao "sonho americano". 
Dizem as estatísticas que um destes comboios pode transportar entre 1.000 e 1.500 migrantes, naturalmente todos ilegais. Sobem enquanto o comboio está a correr e ficam ou sentados ou pendurados entre duas carruagens. Em ambos os casos a posição é muito incómoda, e é por isso que a primeira regra que um viajante clandestino deve aprender é: "não dormes". Não só porque se pode cair por distração ou por cansaço, mas também por causa de muitos outros perigos: assassinos, atacantes, narcotraficantes, grupos armados, estupradores, policiais corruptos, etc.  
E no entanto, são milhares as pessoas que apanham diariamente estes comboios da morte. Porquê fazem isso? Para fugir à pobreza, à opressão, às perseguições nos seus países de origem. A grande maioria vem de países muito pobres, como Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Honduras e do próprio México. A viagem pode durar até dois meses. Chegando à fronteira procuram um coyote (passador profissional) que, pela soma de 5.000 dólares ou até mais, aceita de fazer transitar a pessoa. Estima-se que anualmente cerca de 1.300 pessoas morrem ou ficam mutiladas no caminho. Uma vez nos Estados Unidos os perigos não acabam, porque podem ainda ser sequestrados (10.000 emigrantes centro-americanos em apenas 5 meses) ou repatriados, se surpreendidos sem documentos (250.000 centro-americanos reenviados aos países de origem num ano). Para tentar ajudar este “exército” de migrantes, a caridade cristã tem inventado os “centros de acolhimento” (em espanhol hogares), onde os migrantes podem encontrar cama e comida gratuitamente. Mas há também um grupo de 14 mulheres (las “patronas”), que há 15 anos todos os dias preparam comida e uma garrafa de água para os que transitam perto da fronteira norte.


Ontem fomos visitar um destes 69 centros espalhados pelo território nacional, a “Casa del migrante” que se encontra na paróquia de “Nuestra Senhora del Refugio”, em Tlaquepaque, Guadalajara. É um centro modesto, que acolhe diariamente cerca de 40 migrantes (com picos de 300 e até mais) e oferece todos os dias 120 refeições aos pobres da paróquia (sobretudo meninos de rua e idosos). O centro vive exclusivamente de providência. O p. Alberto, pároco e responsável do centro, contou-nos muitas histórias tristes de pessoas que passaram nesta casa, mas também partilhou connosco a sua alegria de constatar que toda a paróquia está envolvida e colabora nesta obra de solidariedade. É a sua maior consolação. 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Mexico, país de grande migração

Estou no México, precisamente em Guadalajara (a segunda maior cidade do estado), participando dum curso internacional de formação relacionado com as temáticas de Justiça, Paz e Integridade da Criação. O tema do curso é: "Migração, causas, muros e perspetivas franciscanas". Somos 57 participantes, religiosos e leigos da família franciscana, a grande maioria vinda de México e dos países vizinhos.
Até esta manha as exposições foram muito interessantes, mas também um pouco "académicas", teóricas. Mas hoje foi diferente com o fr. Tomas González a falar sobre o seu Hogar-refugio para pessoas migrantes La72, um lugar de hospedagem perto de Tenosique, no estado de Tabasco. Esta estrutura, criada pelo nosso irmão, acolhe neste momento cerca de 400 migrantes, sobretudo cidadãos de Guatemala, Honduras e El Salvador. Foi um testemunho muito forte, que nos tocou profundamente. Ele contou muitos factos incríveis, historias a arrepiar a pele; deu voz ao terrível sofrimento de tantas pessoas que são maltratadas, violentadas, torturadas só porque migrantes sem documentos.

Tudo isso, juntado com o filme Sin nombre (que vimos há dois dias) sobre o crime organizado e a emigração entre México e Estados Unidos, está a tornar este curso muito vivo e atual. E impulsiona-nos a tomar uma posição clara em favor dos migrantes de todos os países do mundo.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Quaresma: tempo de conversão

Começou o tempo sagrado da quaresma: tempo de conversão, de mudança de vida. Papa Francisco escolheu como tema da sua mensagem este versículo do Evangelho de Mateus:



«Porque se multiplicará a iniquidade,
vai resfriar o amor de muitos» (Mt 24, 12)

 E' uma mensagem muito forte, contundente, que não pode deixar ninguém indiferente. Como vamos viver esta nova oportunidade de conversão? A renovação do mundo, a mudança na sociedade que todos nós esperamos depende de cada um de nós!



terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Os Bispos publicam uma Mensagem para a Quaresma 2018

Dia de Jejum e Oração pela Paz
24 Horas para o Senhor

Irmãos e Irmãs nas Dioceses de Bissau e de Bafatá,

Com a liturgia de hoje, “Quarta-feira de Cinzas”, iniciamos o sagrado Tempo da Quaresma, um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração, penitência e caridade para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa.

Dia de Jejum e Oração pela Paz

No Angelus do domingo, dia 05 de fevereiro, o Papa Francisco voltou a condenar a violência e convocou um Dia de Jejum e Oração pela Paz, dizendo: “diante da trágica continuação de situações de conflito em diversas partes do mundo, convido todos os fiéis a um Dia especial de Oração e Jejum pela Paz no dia 23 de fevereiro próximo, sexta-feira da Primeira Semana da Quaresma”. Em seguida disse: “O ofereceremos em particular pelas populações da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul. Como em outras ocasiões similares, convido também os irmãos e irmãs não católicos e não cristãos para se associarem a esta iniciativa nas modalidades que considerarem mais oportunas, mas todos juntos”.

“24 Horas para o Senhor”

Na sua Mensagem para a Quaresma 2018, o Papa Francisco anunciou “a iniciativa ‘24 horas para o Senhor’, que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística...nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando-se nestas palavras do Salmo 130: ‘Em Ti, encontramos o perdão’ (v. 4)”. O Papa acrescentou: “Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental”.

Na Diocese de Bissau, a igreja “São Pedro”, na Paróquia do Bairro d’Ajuda, Bissau, ficará aberta as 24 horas consecutivas. Na Diocese de Bafatá, será a “Capela da Missão Católica de Bafatá” a concretizar o apelo do Papa. Pedimos, no entanto, que mais igrejas permaneçam abertas as 24 horas e que todas abram suas portas o mais tempo possível. 

Unamo-nos ao Papa, concretizando seus dois apelos. Unamo-nos à nossa Conferência Episcopal do Senegal, Mauritânia, Cabo Verde e Guiné-Bissau que nos enviou a sua Exortação para esta Quaresma: “O Respeito e a Promoção do Bem Comum”. 

A todos nós, um bom Itinerário Quaresmal. 

Bissau, Bafatá, 14 de fevereiro de 2018.
Quarta-feira de Cinzas


Dom José Câmnate na Bissign
Bispo de Bissau
Dom Pedro Carlos Zilli
Bispo de Bafatá

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Fr. François, um grande no meio de nós


Fr. François Djondo, da província franciscana do Verbo Incarnado (Togo, Costa de Marfim, Gana, Benim e Burquina), deixou-nos no sábado passado. Estava gravemente doente, mas aceitou tudo com fé inabalável e plena confiança em Deus. Ele costumava repetir: "Eu estou tranquilo, porque procuro cumprir a sua vontade. Ele sabe o que faz e tudo o que acontece é pelo meu bem."
Desde 2011 ele estava na província franciscana das Marcas (Itália), como missionário. Com a sua simplicidade, carinho e simpatia ele tinha conquistado o coração da gente, que o amava como um filho. Homem de grande oração e trabalhador incansável, era um modelo e uma referência para o povoado de Montefiorentino, pequena comunidade da comuna de Fortino, onde os franciscanos das Marcas tem um mosterio (casa de retiros).
É aqui que agora ele esta' a descansar, na espera do dia da ressurreição, como um verdadeiro missionário.

Merci, frere François, tu étais un grand.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A emoção de estar perto do Papa

Não acontece todos os dias de participar duma audiência papal. Foi o que eu vivi hoje, na praça de s. Pedro. Estávamos muito perto dele, quase consegui apertar-lhe a mão...
Mas o essencial foi de vê-lo, de estar perto dele, de vivenciar com muita gente um momento de graça. Constatei que vive com intensidade cada momento, que todas as pessoas são importantes para ele, que sabe entrar facilmente em diálogo com todos. Pareceu-me de ver Jesus, Jesus que continua hoje a passar pelas nossas ruas e cidades para curar, consolar e salvar.



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Curso de formaçao em Roma

Estou em Roma, participando dum curso de formação missionaria, por conta da nossa Diocese. Somos trinta participantes de sete países lusófonos (Angola, Moçambique, Capo Verde, Portugal, Brasil, Timor-Leste e Guiné-Bissau). Comigo estão também o p. José Giordano, OMI, diretor nacional das Pontifícias Obras Missionarias, e a ir. Eliane Armoa, das Missionarias da Imaculada.  Para mim é uma experiência fantástica, única, seja pela riqueza dos conteúdos, seja pela atmosfera de fraternidade que há entre nós. O curso tem uma parte mais doutrinal (com palestras e trabalhos de grupo) e uma mais prática (com visitas a Assis e à sede das PP.OO.MM.) e a participação à audiência geral da 4a-feira com o Papa Francisco. Este último constitui, certamente, o ponto mais alto do programa, o momento tão esperado: o encontro com o nosso amado Santo Padre.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Postulantes

Estou a dar aulas a cinco postulantes (Ana, Diana, Ludimila, Esperança e Bakhita). São de três institutos diferentes: duas marianitas, duas adoradoras e uma franciscana. Vendo-as caminhar pelas ruas de Bissau, a gente não imagina que sejam membros de famílias religiosas diferentes, porque andam sempre juntas e são muito amigas. Para mim representam, embora em esboço, o futuro da vida religiosa na Guiné-Bissau. Encarnam um estilo de vida simples, desinibido, que aposta mais na amizade e na fraternidade do que nas diferenças de hábito, de história, de ação pastoral.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Conclusão da terceira sessão do Sínodo Diocesano

Depois de quatro dias de intenso trabalho, foi encerrada ontem a terceira sessão do Sínodo Diocesano com uma Declaração Final que foi lida durante as. Missa de encerramento. Eis o texto:


DIOCESES DE BISSAU
SÍNODO DIOCESANO 
“NOVA EVANGELIZACAO” 

 DECLARAÇÃO FINAL DA TERCEIRA SESSÃO SINODAL 2018

Irmãs e irmãos em Cristo,
Chegamos ao fim dos trabalhos da 3ª sessão
do 1° Sínodo Diocesano que versou sobre “Os desafios da Nova Evangelização”.
Louvemos, antes de tudo, ao Deus da Misericórdia pela abundância de graças derramadas sobre os sinodais que se dispuseram de forma pessoal e colectiva a prosseguir, com fé e espírito de serviço, os objetivos desta terceira e última Sessão.
Durante 4 dias de intensos trabalhos, os sinodais tiveram como referencias a Sagrada Escritura, a Doutrina Social da Igreja e outros documentos e isto foi um sinal inequívoco de uma devida apropriação da verdadeira sentido da NOVA EVANGELIZAÇAO cuja substancia é a renovação das modalidades do seu anuncio, da sua divulgação, da sua aplicação no atual contexto e realidade da Guiné-Bissau.
A convergência em torno da preservação dos valores do Evangelho, foi o sinal mais forte desta Sessão, pois, não obstante a composição difusa dos sinodais: Padres, Irmãs e Leigos, todos, de forma individual e coletiva, reafirmaram o seu apego incondicional aos ensinamentos de Jesus Cristo.
Os trabalhos do grupo foram espaços em que se fez sentir também a acção do Espírito Santo, levando os participantes a terem uma maior paixão e mais fantasia (entusiasmo) na missão de anunciar o Evangelho a todas as pessoas.
Perante os sérios desafios do nosso tempo, particularmente na Guiné-Bissau, esta terceira Sessão do I Sínodo Diocesano deu um sinal de alerta à nossa Igreja, sobre a necessidade de se aprofundar a reflexão sobre alguns setores da nossa vida eclesial e em sociedade, nomeadamente:

1. Estruturas pastorais
2. Fé e razão
3. O cristão e a politica
4. A pastoral vocacional
5. A pastoral universitária
6. A pastoral juvenil
7. Grupos e movimentos nas Paroquias
8. Ecologia e protecção do meio ambiente.
Irmãs e irmãos em Cristo,
Durante quatro dias meditamos sobre oito temas sincronizados e interdependentes entre si, pois constituem os caminhos que a Igreja deve percorrer na sua convivência com Deus e com os irmãos.
Os consensos alcançados, as experiencias partilhadas, os ensinamentos colhidos, o espírito de fé que animou as discussões em torno dos oito temas, são a expressão de uma Igreja que quer ser mais viva, dinâmica e atuante, mergulhada na procura de novos caminhos para uma Evangelização renovada no seu percurso e na sua adequação às demandas sociais do nosso tempo.
No fim desta terceira Sessão, os Sinodais rogam ao DEUS DA MISERICORDIA para que, com a assistência do Espírito Santo, as palavras, as pregações e as acções dos nossos Pastores, o Bispo da Diocese e o seu Auxiliar, Padres, Irmãs, Consagrados e Leigos, sejam o testemunho fiel e profético de uma Igreja renovada e mais preparada para se afirmar como sal e luz do Povo Guineense.
Que Deus Pai Todo Poderoso e Senhor da Vida, ilumine as orações dos políticos e governantes da Guiné-Bissau, despertando neles o espírito de serviço em ordem a se encontrar uma solução consensual para a saída desta persistente e sufocante crise que abala o País já lá vão três anos, pois à Deus, na sua infinita bondade, nada é impossível.
Que o Emmanuel se manifeste incessantemente e habite os nossos corações!
Que Nossa Senhora de Candelária, Mãe de Deus e Nossa Mãe cubra cada um de nós com o seu manto sagrado!
Que o Espírito Santo Paráclito renove um cada um de nós o espírito de fé, esperança e caridade e a todos ilumine!

Paróquia de S. João Batista de Brá, em Bissau, 11 de Janeiro de 2018

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A diocese reunida em sínodo (3a e última sessão)

Cerimónia de abertura da terceira sessão
 A diocese está reunida em sínodo, sendo esta a terceira e última sessão (8-11 de janeiro). Esperamos que deste sínodo saiam orientações claras e precisas para toda a diocese dentro dum plano pastoral global. Mas a comissão que vai trabalhar as propostas que sairão do sínodo tem um grande trabalho a fazer, porque o próprio sínodo não se pronunciou sobre objetivos (geral e específicos) e prioridades, mas achou tudo importante e tudo urgente.

 Estes são os temas em agenda para a terceira sessão:



1. Estruturas pastorais
A Igreja, como qualquer sociedade  humana, precisa de uma organizaçao interna, que garanta a sua continuidade no tempo e a sua fidelidade à inspiração original.
A nossa diocese, durante estes 40 anos, dotou-se de uma vasta rede de estruturas ao serviço da ação pastoral e evangelizadora. Algumas destas estruturas são mesmo exigidas pela lei canónica da Igreja, outras foram surgindo com o tempo segundo as necessidades. São estas estruturas ainda válidas e necessárias, ou são velhas e anacrónicas, constituindo um fardo pesado para a diocese? Quais estruturas devem ser mudadas? Quais deveriam ser renovadas e atualizadas?

2. Fé e razão
Para muitos cristãos fé e razão estão em oposição, devendo a razão sempre ceder diante da fé. Mas é mesmo assim? O  desígnio do Criador foi de dotar o género humano de inteligência para que explorasse os mistérios da natureza e do mundo do espírito.  No entanto, devemos evitar de cair no duplo erro do fideismo (=a fé como solução última de todos os problemas) e do racionalismo (=a razão humana è o principal critério de conhecimento de tudo o que existe). O grande teologo S. Agostinho costumava dizer: “Eu creio para compreender e compreendo para crer melhor”.
Será que nós valorizamos o diálogo entre fé e razão? Somos conscientes da complementariedade entre as duas?
3. O cristão e a política
A política é a arte de governar a polis (=cidade/estado). Ela se ocupa do destino comum dos povos.  E’ um campo de atividade especialmente reservado aos leigos, que se deixam guiar nisso pela Doutrina Social da Igreja.
Nesta ótica a Igreja não cessa de exigir de cada cristão, em quanto cidadão, um engajamento sério na política, como lembra o Catecismo da Igreja Católica: “Os cidadãos devem, tanto quanto possível, tomar parte ativa na vida pública.” (n. 1915)  Isso porque a Igreja considera fundamental a promoção do bem comum e a defesa dos valores cristãos.
Mas quanto são os cristãos que se implicam corajosamente  na administração da polis? Os funcionários públicos como exercem a sua função? Com empenho e profissionalidade ou como uma ocasião para se enriquecer?

4. A pastoral vocacional
O Senhor Jesus continua passando nas nossas ruas e cidades chamando pessoas a segui-lo mais de perto na vida religiosa e no sacerdócio.  Esta pastoral procura facilitar o encontro entre Jesus e o candidato através dum processo de discernimento e um acompanhamento personalizado. Esta pastoral está estruturada em etapas, sendo a paróquia  o “berço natural” de todas as vocações e a sua etapa inicial.
As nossas famílias e comunidades  são sensíveis aos  sinais de vocação mostrados pelos candi-datos?  Estão prontas a colaborar com eles?

5. A pastoral universitária
Esta pastoral visa acompanhar os estudantes universitários nos seus estudos, para que possam ter momentos de encontro e de reflexão sobre a fé e a cultura, a fé e a ciência, a fé e o mundo globalizado. Noutras palavras, a fé deveria iluminar e dar sentido ao estudo, entendido não tanto como mero conhecimento, mas como uma preparação para uma missão: a de purificar e elevar as culturas, as ciências e, em definitiva, todas as realidades temporais a partir dos valores evangélicos. 
Os nossos jovens universitários se preocupam com a sua fé?  Tomam o tempo de aprofunda-la? Sabem encontrar  tempo para ajudar nas paróquias? 

6. A pastoral juvenil
Com esta pastoral a Igreja pretende acompanhar os adolescentes e jovens na sua caminhada vocacional e na inserção na Igreja. Eles normalmente são membros de algum grupo ou movimento eclesial (ver mais para frente grupos e movimentos na paróquia),  recebendo assim uma formação personalizada.
Um grupo muito sensível é o dos JO-PAIS, quer dizer, os jovens que tiveram um filho fora do casamento e ainda não estão prontos para se casar. Este grupo exige um acompanhamento e uma atenção especiais que nem todas as paróquias conseguem dar.  Como fazer para não perder estes jovens que “falharam” - é verdade - mas pretendem continuar a servir a Igreja?
 E os nossos adolescentes e jovens, como são acompanhados? Os párocos são sensíveis às suas exigências de  autonomia e de liberdade?  Conhecem os jovens? Vão ao seu encontro? Sabem interpretar as suas angústias e medos?
Acerca do próximo Sínodo dos jovens, que vai ter lugar em Roma em outubro, como estamos a nos preparar para este grande acontecimento? As nossas paróquias foram sensibilizadas sobre as temáticas do sínodo? Qual é o grau de participação dos nossos jovens na preparação do mesmo?

7. Grupos e movimentos nas paróquias
È inegável a contribuição que grupos e movimentos de apostolado (adolescentes, jovens, famílias cristãs, CV-AV, JUFRA, carismáticos, grupos de oração, Legião de Maria, etc.) podem dar e de facto dão às nossas paróquias e comunidades. Com o seu dinamismo e criatividade,  eles dão impulso às nossas estruturas pastorais, que muitas  vezes mostram sinais de velhice e falta de inspiração.
Mas estes grupos e movimentos devem ser acompanhados de perto para que não desviem do caminho certo. Eles são uma bênção de Deus, quando estão bem inseridos na pastoral de conjunto da paróquia.
Podem surgir, e de facto acontecem, conflitos e desentendimentos quando um grupo ou movimento quer emergir sobre os outros, monopolizando a pastoral; ou quando anda por sua conta, criando competição e divisão com os outros grupos. Um outro problema é o fenómeno da “multipla pertença”, quando um adolescente ou jovem é membro de dois ou mais grupos e/ou movimentos.
Como fazer para  que haja harmonia e colaboração na paróquia? E’ possível ser membro de dois ou mais grupos e movimentos contemporaneamente?
 
8. Ecologia e proteção do meio-ambiente
Ecologia significa: o cuidado da casa comum, que é o planeta terra. E’ um tema urgente e  importante, sobretudo para os países ditos “avançados”, que têm um  elevado grau de industrialização e, consequentemente, de poluição. 
A  própria Igreja sentiu a necessidade, nestes últimos anos, de elevar a sua voz em defesa do
meio-ambiente, cada vez mais ameaçado de destruição pelos hábitos irresponsáveis da humanidade.
O papa Francisco dedicou a esta problemática uma carta enciclica (Laudato sii), manifestan-do a sua preocupação pelo “urgente desafio de proteger a nossa casa comum” e lançando um “convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta”. (nn. 13 e 14).
Os temas da ecologia e da proteção do meio ambiente não entraram ainda na agenda dos nossos políticos, que não os consideram uma prioridade. Mas até quando estaremos de braços cruzados a olhar para a casa que queima, sem fazer nada para apagar o fogo?