quarta-feira, 6 de junho de 2018

Provas de diálogo

Também este ano estou a lecionar um curso intitulado "Diálogo interreligioso" na universidade católica. Todos os anos é um desafio procurar convencer os meus alunos que o diálogo é possível, útil e enriquecedor.
Mas hoje a minha aula foi especial com a intervenção de um casal da Igreja evangélica quadrangular: Carlos e Alexandra. A exposição foi mesmo brilhante. Mas o que mais marcou a gente foi a história desta igreja pentecostal, de origem americana, fundada em 1923 por uma mulher muito corajosa e intraprendente: Aimee Semple McPherson.
Pessoalmente fiquei impressionado pela abertura e seriedade desta igreja, que com poucos meios, sustentada sobretudo pelas mulheres, conseguiu chegar em 140 países. Obrigado, irmãos, o caminho do diálogo não é fácil, mas é promissor.


sábado, 2 de junho de 2018

Regresso a Bra'

Estou de volta a minha antiga paróquia de Bra'. Só para dois meses, o tempo de o Fr. Jorge Falcão, que é o titular da paróquia, fazer o seu tratamento de olhos na Itália. Depois disso, lá para o fim de junho, voltarei para a minha terra: Biombo. É confortante constatar o crescimento da paróquia, a maturidade dos leigos, o dinamismo dos grupos e movimentos de apostolado. Só para falar dum aspeto, os batismos, este ano serão cerca de 420! Parabéns, paróquia de Bra'!

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Papa Francisco visita Loppiano, a cidade dos focolares

Pela primeira vez, depois da sua fundação em 1964, a cidadela de Loppiano, perto de Florença, recebeu a visita dum papa. Foi no dia 10 de maio de 2018. O entusiasmo dos habitantes (cerca de 850 pessoas) e dos muitos visitadores era indescritível . O Santo padre teve palavras de elogio para este centro do movimento, que constitui o "protótipo" de outras 24 cidadelas espalhadas no mundo, e que pretende mostrar como seria o mundo se todos vivessem o Evangelho. De facto, aqui vivem - de forma estável ou só por alguns meses - pessoas de 65 nações e de diferentes religiões. Trata-se na verdade de um pequeno esboço de humanidade renovada  pelo amor.

Uma pequena delegação de budistas vindos da Tailândia

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O mês de Maria

Entramos no mês de maio, o mês de Maria. Qual ocasião formidável para renovar o nosso amor a Maria, a nossa Mãe. Ou para redescobri-lo, se por acaso, ele fosse um pouco apagado ou murchado. Também para os fieis de outras religiões, como os muçulmanos, Maria é uma mãe muito amada e procurada. No Alcorão o seu nome, Miriam, é evocado 34 vezes, com vários títulos: mãe de Jesus, virgem, mulher livre e libertada.

terça-feira, 17 de abril de 2018

JPIC, parte integrante do carisma franciscano

Na Ordem dos Frades Menores, o Secretariado de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) foi criado com a missão de despertar entre os frades a consciência de que justiça, paz e ecologia fazem parte do carisma franciscano. E como franciscanos são defensores da esperança, da dignidade humana e da sacralidade de toda criatura, abertos ao ecumenismo e ao diálogo com as culturas.
Os Estatutos Gerais da Ordem dos Frades Menores define a tarefa do Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação da seguinte forma: “A principal tarefa do Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), sob a dependência do Ministro Geral é:
1. Cuidar que a JPIC faça parte da vida e da missão da Ordem, com a cooperação dos animadores e das comissões de JPIC de todos os níveis, colaborando com o Secretariado para a Formação e os Estudos e com o Secretariado para a Evangelização.
2. Instruir os irmãos sobre questões relacionadas à JPIC.

Infelizmente há ainda muitos franciscanos que pensam que este serviço não seja uma dimensão fundamental do carisma franciscano, mas sim uma atividade reservada a poucos eleitos, idealistas e poetas que sonham um mundo utópico.

Não era este o pensamento de S. Francisco que não hesitava em intervir nos acontecimentos políticos do seu tempo (lobo de Gubbio, conflito entre o bispo e o podesta de Assis), convencido de que não há verdadeira fraternidade sem um claro compromisso político e ecológico.

O secretariado geral de JPIC tem a sua sede em Roma. Para mais informações contactar: www.ofm.org/jpic;  pax@ofm.org. Existe também um boletim: CONTACTO, publicado em inglês, espanhol e italiano.


domingo, 15 de abril de 2018

La72


No sudeste do México, muito perto da fronteira com Guatemala, encontra-se uma casa-refugio para migrantes cujo nome é La72. Foi fundada em 2011 por um franciscano, fr. Tomás González Castrillo, e até então já passaram por este centro pioneiro 50.000 migrantes. O nome do centro refere-se à descoberta, feita na localidade de S. Fernando (no estado de Tamaulipas, perto da fronteira norte do Mexico), de uma vala comum com 72 corpos de pessoas assassinadas pelo crime organizado em 2010. O nome do centro quer perpetuar a memória destas pessoas e de tantos outros migrantes que continuam a morrer na viagem para os Estados Unidos (que no imaginario comum é o “sonho americano”).
Fr. Tomas intervem no congresso de JPIC, em Guadalajara
Desde então, o fr. Tomas tem dedicado toda a sua vida a esta causa, procurando-se muitos inimigos entre os narcotraficantes, o crime organizado e até entre as forças da ordem. Por isso agora ele é vigiado por guarda-costas. Mas ele não sente medo pelas muitas ameaças que recebe, porque sabe que a sua obra não vai parar. Muitos outros estão a ajudar de várias maneiras, porque constatam os benefícios do seu trabalho. Um dos resultados mais visíveis são os 69 centros que, a partir de 2011, surgiram ao longo da “rota da esperança” para dar hospedagem aos milhares de migrantes que viajam para a fronteira americana.   


"La bestia" ou o comboio da morte



Durante toda esta semana tenho ouvido o barulho dum comboio que passa perto da nossa "Casa de oración", em Tlaquepaque, um bairro periférico de Guadalajara. Não sabia que era "la bestia", o tristemente famoso comboio da morte, que atravessa o México do sul ao norte e que constitui para milhares de pessoas o transporte rumo ao "sonho americano". 
Dizem as estatísticas que um destes comboios pode transportar entre 1.000 e 1.500 migrantes, naturalmente todos ilegais. Sobem enquanto o comboio está a correr e ficam ou sentados ou pendurados entre duas carruagens. Em ambos os casos a posição é muito incómoda, e é por isso que a primeira regra que um viajante clandestino deve aprender é: "não dormes". Não só porque se pode cair por distração ou por cansaço, mas também por causa de muitos outros perigos: assassinos, atacantes, narcotraficantes, grupos armados, estupradores, policiais corruptos, etc.  
E no entanto, são milhares as pessoas que apanham diariamente estes comboios da morte. Porquê fazem isso? Para fugir à pobreza, à opressão, às perseguições nos seus países de origem. A grande maioria vem de países muito pobres, como Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Honduras e do próprio México. A viagem pode durar até dois meses. Chegando à fronteira procuram um coyote (passador profissional) que, pela soma de 5.000 dólares ou até mais, aceita de fazer transitar a pessoa. Estima-se que anualmente cerca de 1.300 pessoas morrem ou ficam mutiladas no caminho. Uma vez nos Estados Unidos os perigos não acabam, porque podem ainda ser sequestrados (10.000 emigrantes centro-americanos em apenas 5 meses) ou repatriados, se surpreendidos sem documentos (250.000 centro-americanos reenviados aos países de origem num ano). Para tentar ajudar este “exército” de migrantes, a caridade cristã tem inventado os “centros de acolhimento” (em espanhol hogares), onde os migrantes podem encontrar cama e comida gratuitamente. Mas há também um grupo de 14 mulheres (las “patronas”), que há 15 anos todos os dias preparam comida e uma garrafa de água para os que transitam perto da fronteira norte.


Ontem fomos visitar um destes 69 centros espalhados pelo território nacional, a “Casa del migrante” que se encontra na paróquia de “Nuestra Senhora del Refugio”, em Tlaquepaque, Guadalajara. É um centro modesto, que acolhe diariamente cerca de 40 migrantes (com picos de 300 e até mais) e oferece todos os dias 120 refeições aos pobres da paróquia (sobretudo meninos de rua e idosos). O centro vive exclusivamente de providência. O p. Alberto, pároco e responsável do centro, contou-nos muitas histórias tristes de pessoas que passaram nesta casa, mas também partilhou connosco a sua alegria de constatar que toda a paróquia está envolvida e colabora nesta obra de solidariedade. É a sua maior consolação.