Às vezes, encontro pessoas que me perguntam sobre a minha vida
de pároco em Blom. Sinto-me sempre atrapalhado em responder, porque eu vivo numa
situação atípica: aqui não há casamentos cristãos (o último foi em 2016), nem
enterros cristãos (nos últimos seis anos um único enterro com celebração eucarística),
mas a gente quer o batismo para os seus filhos: 68 bebés no dia de Natal de
2025. Como explicar esta anomalia?
Simples! Tudo isso depende da RTA (= religião tradicional
africana) cuja influência é tão forte que obriga – salvo raras exceções – a cumprir
os ritos tradicionais, para não subir a vingança dos espíritos maus (os famosos
irãs). De vez em quando há entidades, como a Igreja Evangélica, que
tentam opor-se mas o resultado é sempre o mesmo: reações violentas dos habitantes
que não tem coragem de desafiar a tradição. A Igreja Católica, por
enquanto, não se pronuncia, talvez porque a questão é complexa e exige uma preparação
doutrinal e cultural-etnológica que poucas pessoas têm.
Mas a questão é urgente e não pode ser adiada! Isso porque os
nossos cristãos estão a sofrer: sentem-se marginalizados e desprezados, não têm
direito de participar na vida da aldeia, não podem fazer parte do conselho dos anciãos.
Tudo isso chama-se inculturação da mensagem cristã. Quanto
tempo ainda a Igreja vai esperar?
