sábado, 17 de janeiro de 2026

A inculturação da mensagem cristã

A irmã Anélia Gomes de Paiva apresenta o tema da inculturação liturgica 
às famílias do setor pastoral de Biombo (21.02.2025)

Às vezes, encontro pessoas que me perguntam sobre a minha vida de pároco em Blom. Sinto-me sempre atrapalhado em responder, porque eu vivo numa situação atípica: aqui não há casamentos cristãos (o último foi em 2016), nem enterros cristãos (nos últimos seis anos um único enterro com celebração eucarística), mas a gente quer o batismo para os seus filhos: 68 bebés no dia de Natal de 2025.  Como explicar esta anomalia?

Simples! Tudo isso depende da RTA (= religião tradicional africana) cuja influência é tão forte que obriga – salvo raras exceções – a cumprir os ritos tradicionais, para não subir a vingança dos espíritos maus (os famosos irãs). De vez em quando há entidades, como a Igreja Evangélica, que tentam opor-se mas o resultado é sempre o mesmo: reações violentas dos habitantes que não tem coragem de desafiar a tradição. A Igreja Católica, por enquanto, não se pronuncia, talvez porque a questão é complexa e exige uma preparação doutrinal e cultural-etnológica que poucas pessoas têm.

Mas a questão é urgente e não pode ser adiada! Isso porque os nossos cristãos estão a sofrer: sentem-se marginalizados e desprezados, não têm direito de participar na vida da aldeia, não podem fazer parte do conselho dos anciãos.

Tudo isso chama-se inculturação da mensagem cristã. Quanto tempo ainda a Igreja vai esperar?


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